quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Solidão.

            A multidão que me circundava, me sufocava, me atordoava, me enlouquecia, me aflingia, como se nada significasse, como se não mudasse em absolutamente nada a solidão que eu sentia. E, a verdade é que não mudava mesmo. Aprendi da pior forma que solidão não é exatamente estar só. Eu estava rodeada de tanta gente, e, me sentia só. Extremamente só. Como se não pudesse contar nem ao menos comigo mesma, como se nem a maior das forças que eu pudesse encontrar em mim fosse suficiente pra me fazer levantar, como se nem o maior vislumbre de confiança já visto acender-se em minha mente adiantasse, como se nem o meu estado mais forte de ser, fosse suficiente pra cessar a solidão incessante que me tomava.Me invadia, sem minha concessão.
           A tela de cinema a minha frente parecia vazia, como se nada transmitisse, seu conteúdo não me atingia. A minha mente estava silenciada, e só breves imagens, repetida várias e várias vezes, eram o suficiente pra me derrubar, a cada instante eu definhava mais, chegando ao fundo do poço, consciente de que deveria ter sempre coragem para enfrentar a mim mesma. Para enfrentar meus própios monstros. Mas, temerosa ao ponto de não o fazer. Temerosa por conhecer perfeitamente o motivo de me sentir assim. Eu chorava internamente, enquanto transmitia indiferença, para evitar perguntas. E, tentava ao mesmo tempo me concentrar, nas imagens e dialógos, que o filme de me apresentava. Mas, para mim, não passavam disso. Imagens e Diálogos, onde não encontrava sentido algum, enquanto minha mente involuntariamente continuava a me massacrar. Maldita tortura pessoal.  
             Tentei me ocupar observando o movimento dentro da sala, mas, desisti, assim que notei cada casal que me rodiava. Eu sabia o que me fazia sentir-me assim. Só não admitia. E, eu era orgulhosa o suficiente para nunca o fazer. Eu sabia que eu era masoquista o bastante para não responder, nem mesmo a mim, o quê ou quem, me aflingia. Era oculto. E seria sempre assim. Quem quiser que deduzisse nas entrelinhas de minhas breves palavras que ecoavam no meu nada interno, o que eu sentia. O que se passava em minha mente conturbada.

Júlia (:



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