Ela entrou no carro calada, fingiu estar tudo bem, para não ter que explicar nada. Porque, na verdade, ela não sabia como explicar. Acomodou-se no banco atrás, e, colocou-se a observar a movimentação no trânsito, o estresse das pessoas, o engarrafamento, o monte de placas que via-se por onde se passasse, era tudo um passa tempo, para evitar as lágrimas precipitadas que ameaçavam cair. Na verdade, sua mente parecia estar longe, tão distante, que nem ela podia alcançar. E isso era o mais frustrante.
O tempo passou devagar, até que ela finalmente chegasse em casa, o que funcionou como certo martírio. Assim que chegou, deu boa noite aos pais, e, foi direto ao quarto. Pegou o pequeno livro de frases que havia comprado, e, pôs-se a ler para passar o tempo. Maldito livrinho, a cada frase, a cada palavra sábia, ela sentia uma agulha espetar seu coração, dolorido e cansado. As lágrimas caiam freneticamente de seus olhos pesados de sono. E, aquilo a fazia pensar que não existisse dor maior, mesmo tendo alguma idéia, de que, sim, existia dor muito maior. Ela não queria compreender. Falava sozinha, explicando a si mesma possíveis motivos para aquele sentimento desconhecido. Lia em voz alta, como se de alguma forma pudesse fazer seu coração ouvir algo que o acalmasse, assim como ela, ele não parecia estar muito afim de fazer acordos.
Ela contorcia-se na cama em busca de algo que a fizesse sentir-se segura, finalmente, mas, a única coisa que achou foi um travesseiro, como ela já beirava a insanidade, abraçou-se com ele, como se fosse ser suficiente. Mesmo sabendo que não seria. Ela sentia que carregava o mundo em suas costas, e, que tinha que continuar andando, sentia que não havia com quem compartilhar o peso, e, que tinha que continuar a qualquer custo. A cada olhadela para a longa estrada da vida, mais uma lágrima entre inúmeras, ela se via só, mesmo sabendo que podia contar com muita gente
Por fim, quando conseguiu cessar suas lágrimas por algum tempo, tentou ultrapassar a barreira que parecia existir, entre o que ela sentia, e, o que já tinha sentido. Tentando, compreender aquele sentimento, era em vão. Não havia nome. Palavra. Definição. Conceito. Porque. Ela, somente sentia. Podia sentir seu coração sangrar de dor, e, sentia-se impotente para tomar uma atitude. Ela estava exausta, cansada de tanto sofrer, cansada de tanta dor. Ela só desejava que aquilo passasse, e, rápido. Não era nada bom não saber o que sentia. Depois de muito tormento, ela finalmente cedeu ao sono, fechou suas pálbebras pesadas do sono, e, dormiu a pior noite de sua vida.
Júlia (:

Lindo, lindo, lindo...
ResponderExcluirVc tece as palavras mt bem dona moça.
Adoro vir aki e ficar lendo os escritos de vcs...
Parabéns!
Muito obrigada ! Nós ficamos bastante felizes em saber que o nosso trabalho está sendo reconhecido.
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