- Olhe para as estrelas. - Ele disse. Ela jogou sua cabeça para trás observando-as, sempre gostara de estrelas, as achava tão lindas, tão brilhantes, tinham sua própria luz, era tão lírico, poético. Mas, ela não compreendia o que ele queria dizer com aquilo, como, quase sempre acontecia.
- Estão lindas. Como sempre. - Comentou. Ele virou-se para olha-lá, seus olhos pareciam magnetizantes, e, não havia como ela não sentir-se intimidada a virar-se também, mas, resistiu a tentação, para não correr o risco de olha-lo e transbordar todo o seu amor atraves dos olhos. E, apenas continuou a observar as estrelas, mesmo tendo toda a sua atenção no atraente olhar castanho que a observava.
- Também, mas, não é só isso. - Ele hesitou um pouco, mas, continuou assim mesmo. Havia certo tempo que ele queria dizer isso. Nunca tinha tido coragem, sempre esperara a hora certa, mas, tinha descobrido recentemente que ela não existia. - Falo do mistério. Você não sente isso também ? É como o brilho de um certo olhar misterioso, é lindo, mas, nada transmite. Não para mim. Não sei se você entende... - Ele deixou o papo morrer. Tinha plena consciência de que havia dito tudo, mas, ao mesmo tempo não havia dito nada, e, deciciu que em vez de explicar de uma vez, esperaria a sua resposta. A verdade, é que ele ainda tinha esperança de que ela o entendesse.
- É... Talvez eu saiba do que você fala. - Suas bochechas coraram, porque era exatamente o que ela sentia sobre seu olhar. Era o mistério das estrelas. Ele havia notado, e, achava que a razão era por ela não sentir o mesmo. Ele estava equivocado. Ela estava constrangida. Os dois observavam as estrelas, os dois, viam seus olhares refletidos naqueles astros de luz própria, que diziam tanto, e, não diziam nada, exatamente como ambos sentiam em relação ao olhar um do outro. Se amavam, e, nem sabiam. O silêncio dominou o local, nenhuma palavra era dita, era possível apenas ouvir o barulho das ondas do mar, e, da fogueira que os outros do acampamento faziam lá na frente.
- Acho que preciso ir. Talvez você saiba demais. - Ela disse, ao mesmo tempo em repreendia as lágrimas do desprezo e constragimento a que sentia-se sujeita. Não queria chorar em sua frente. Não iria.
- Espere. - Ele pediu, quase tão baixo que se não fosse o silêncio ela não ouviria. Ela virou-se em sua direção, e, o encarou, pela primeira vez em toda a noite, ignorando o fato de que qualquer idiota nem um pouco observador, poderia notar que ela beirava o choro. Ele buscava coragem, não entendia o porque de suas lágrimas, e, sabia que não havia tempo para tentar entender.
- Eu gosto de você. Talvez eu a ame. Não sei como dizer isso... - Ele sentiu-se mais leve, ao mesmo tempo que sentia seu estômago rodar. Ela estava radiante, tanto que podia desabar em lágrimas de felicidade, e, assim o fez.
- Não quero lhe assustar, mas, não posso conter minhas lágrimas. É tudo o que eu sempre quis ouvir, e, é tão bom, nem parece real, é tão clichê. Eu também te amo. E, não é talvez. É certeza. - Ela o encarava, sabendo que fora idiota esse tempo todo, evitando, adiando, o momento que mais esperava, sem nem arriscar, por medo que não desse certo. Ele tivera mais coragem, mas, se arrependia por não ter o feito antes. Os dois acreditavam que seria eterno enquanto durasse. E, isso, por enquanto, parecia bastar. Ele puxou-a para perto de si, um puxavanco, onde não usou de delicadeza. E, de repente, ela abriu os olhos, sua irmã a sacudia, estava na hora da aula. E, era apenas um sonho. Mais um dos montes que tivera. Mais um dos seus famosos retratos clichês.
Júlia (:

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