sexta-feira, 13 de maio de 2011

Me acordem quando tudo estiver bem.

            Era a última aula do dia, a pior de todas, por sinal, mas, ela estava disposta a encarar mais essa apesar da sua completa falta de humor. Antes disso, pediria ao professor para conversar com a turma, sabe, desde de que tinha sido elegida a representante ela tentava ao máximo ser exemplar, falar com a turma, e, pela turma. A missão era difícil, ela sabia, mas, era também prazerosa, já que, ela sempre quis fazer de sua vida algo importante, genial, admirável, memorável, e, isso parecia ser um passo, um pequeninissímo passo, enfim, ela tentava ser tudo, e, quase sempre quebrava a cara. Talvez porque era difícil para ela entender que não conquistaria tudo, por mais que quisesse conquistar, ainda assim, afastava tal idéia, e, apenas agia conforme notava a necessidade. Tentava ser sempre sorrindente, respeitosa, e, sutil, muito sutil. 
          Porém, nada estava igual naquele dia. Aliás, nada nunca mais fora igual a vida que levava antes, e, ela sentia pressão das diferenças. Sentia repugnância daquele lugar, sentia raiva das futilidades proferidas por aquelas pessoas, sentia raiva de si mesma, sentia raiva da vida, sentia-se triste, sentia raiva do professor, odiava a tudo e a todos. Naquele dia, ela tinha se exaltado, depois de passar o maior sermão de sua vida. Isolou-se na última cadeira, pôs os fones de ouvidos, enrolou o casaco no pescoço, e, pôs o cabelo cobrindo as orelhas, ouvia a música ao mesmo tempo que na sua mente passavam-se tantas coisas, tantos momentos, que, se lhe perguntassem no que ela pensava, ela diria que nem ela própria sabia.  Perguntava-se porque tudo tinha mudado tanto, lembrava-se, de quando 2010 virou, trazendo 2011, o melhor ano de sua vida, lembrou-se... Ela iria ter boas, grandes e eternas amizades, ela teria um amor, ela se daria bem na escola, e, ia ler livros excepcionais, ela erraria, sofreria, choraria, mas, isso não seria mais que seus sorrisos, que seus acertos, que suas alegrias. Planos. Ria da sua própria idiotice. 
           Não sabia o que sentia, mas, podia notar seus olhos ardendo, e, as lágrimas silenciosas molhando a sua face fria. Enxugou-as rapidamente, antes que alguém pudesse notar, sabia que não evitaria perguntas do tipo : ''Porque tu estavas lá trás sozinha ? '' ou : ''Estás bem ?'' Mas, lágrimas, seriam demais. Lágrimas significavam tristeza. E ela não queria que soubessem que estava triste. Notou o sermão que o professor passava numa garota da turma, tirou subitamente os fones do ouvido, notando que ela seria expulsa de sala por um celular. A garota saiu irritada, levando consigo suas coisas. Não pôs mais os fones, apenas permaneceu silenciosamente pensando, em meio ao barulho externo, e, de seus próprios pesamentos. Odiava aquilo com toda a sua força. Odiava. Quando o sino tocou, foi para a parada, tentando evitar as pessoas, e, foi para casa apenas para ficar mais uma vez com seus conturbados pensamentos. Apenas para passar o resto do dia desejando dormir, um sono longo, e, cheio de sonhos, onde, só há acordariam quando tudo aquilo passasse. 

Júlia (:

2 comentários:

  1. Você escreve extremamente bem. Gostei muito do texto. Parabéns pelo Blog.

    ResponderExcluir
  2. Obrigada linda, não sabes como fico feliz ao receber o reconhecimento pelos meus escritos! Beijos !

    ResponderExcluir