Não sei porque exatamente, ou talvez, eu saiba, só não esteja entendendo muito bem para explicar, mas, de certo tempo para cá pareço ter perdido total apitidão para escrever posts clichês. OK, talvez ser muito clichê não seja bom, mas, eu gostava da sensação de descarrregar tudo que eu sentia por tal pessoa, ou descarregar meus sonhos mais piegas e impossíveis num post. Era um registro dos meus sentimentos, não que explicasse muito bem eles, mas, de alguma forma, fazia parte do que eu sentia, e, o melhor era poder mostrar isso para todo mundo, era muito mais um desabafo do que qualquer outra coisa.
Não sei o que mudou. Até porque, se mudou foi tão lentamente que nem pude notar. Num passado muito próximo, as folhas do cardeno eram as minhas maiores aliadas na escrita de meus mais doces e infantis sonhos, aqueles que hoje leio e sinto falta do dia que tive palavras para ao menos arriscar descrever. Hoje, quando alguma coisa me abala mentalmente a primeira coisa que faço é passar um longo rascunho, com coisas que fazem sentido, e, outras que não, em minha mente, depois, o próximo passo seria pegar a folha ( hoje em dia eu faço até passo à passo pra ver se sai alguma coisa ), e, então escrever, mas, assim que tento as palavras não saem, e, parecem que nunca existiram, tudo evapora, como água num asfalto quente durante o sol de rachar do meio dia.
Nada me irrita mais do que aquela folha em branco bem na minha frente, com tudo que se passa na minha mente, e, eu não consigo mais registrar. Não da forma como gostaria que fosse. Quando sai é algo tão sem noção, mais tão sem noção, que eu acho que eu estava tão maluca pra escrever meus verdadeiros sonhos clichês, que devo ter escrito os de uma garota de 7 anos, que sonha com aquele garotinho que só pensa num maldito video game, e, que só a despreza. É tão rídiculo, que as vezes eu nem tento mais, sabe ? Eu simplismente pego a folha, muito indignada ( isso é sempre ) e, desenho algumas daquelas minhas bonecas muito feias que as pessoas olham e perguntam : '' O que é isso ? '' E eu : '' Acho que deveria ser uma garota. ''
Caramba, tudo que eu queria era conseguir desabafar em palavras, como sempre fiz, aqueles certos sonhos idiotas que todo mundo tem, pode não parecer, mas, eu também os tenho! Só queria ter coragem de encarar que é assim, e, que não importa quais consequencias possam trazer, só preciso dar o braço a torcer , distinguir, e, dizer o que sinto. Mas, não sai. Tudo se acumula dentro de mim. E, eu finjo que posso suportar todo o peso dos meus sentimentos (que eu nem se quer destinguir sozinha sei). Só que, é mais do que racional afirmar que : Se eu for enchendo uma piscina que comporte 9000 litros de água sem parar, um dia, ela transborda, então, a situação não será nada boa. Sei que de alguma forma, tenho que começar a escrever, ou, então, só falar ( sem ser para mim mesmo ) , o que sinto. Só isso. Antes que eu transborde com os litros de todos os meus sentimentos, frustações, sonhos clichês, e, não sei mais o que que haja dentro de mim. Antes que eu me sinta mais só do que já me sinto, com exeção de quando leio, ou escrevo sobre algo bem longe da minha vida, eu me sinto só. Como se mil e uma pessoas me rodeassem, mas, elas fossem todas surdas, ou melhor, como se eu fosse muda, enfim, eu me sinto só, como se vagasse pela cidade das frustações e dos sonhos, e, não entendesse nenhum, como se num mundo desconhecido eu não pudesse perguntar a ninguém para onde ir, porque as palavras não sairiam. Perdi a voz quando mais precisava dela. Só me restava observar tudo de cima, e, sentir o que tivesse para sentir, esperando a hora em que minha voz voltaria.
Júlia (:

estar perfeito concordo com tudo
ResponderExcluirObrigada! (:
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