Eu comecei a ler Harry Potter com uns sete anos de idade. Meu pai tinha todos os livros da saga (que na época eram só cinco, se não me engano) e eu resolvi ler, pois adorava os dois filmes que já tinha visto (na época só tinham dois). Quem me conhece sabe que eu sempre fui um pouco mais adiantada do que o normal para minha idade, e ainda sou. Então, vocês devem imaginar que não demorou muito para eu me apaixonar loucamente por aquele mundo tão estranho e ao mesmo tempo tão atraente. Era um mundo com castelos, pedras filosofais, basiliscos, diários misteriosos, vassouras voadoras de várias marcas, corujas usadas como correios, varinhas que te escolhiam, plataformas que existiam só depois que você as atravessasse, quadros que se mexiam e conversavam com você, fantasmas em banheiros, refeições totalmente fartas, cães de três cabeças, alçapões perigosos, meios-gigantes bonzinhos, pomos de ouro engolidos, professores de poções sinistros e apaixonantes, jogos de xadrez gigantes, capas invisíveis, espelhos que te mostravam exatamente o que você queria ver, elfos domésticos adoráveis, plantas que gritavam, lordes malucos que te ameaçavam com sangue nas paredes, primos porcos, tios mais porcos ainda, e tudo o mais. Que criança de sete anos não iria gostar de tudo isso?
Então eu comecei a ler loucamente, a assistir aos filmes sempre que podia (o que era bastante coisa, já que eu não era exatamente ocupada) e a olhar as personagens com tal admiração que chegava a ser espantoso. E depois, vieram mais. Muito mais. Vieram os filmes e o restante dos livros, e eu nunca me cansava de ler e reler, assistir e assistir de novo. Eu já estava tão apta a leitura que passei a ler livros da grossura da Ordem da Fênix em três a cinco dias, e eu tinha entre nove a dez anos no máximo. Harry Potter me ensinou a ver o potencial do amor. Me ensinou a admirar a mágica, porque sempre há mágica, mesmo que ela não apareça. Me ensinou a ser fã com orgulho. Sim, me decepcionou quando percebi que não receberia minha carta de Hogwarts, mas isso não foi nada comparado ao meu amor pelos meus ídolos, ainda que eles não existissem na vida real. Harry Potter é, para mim, uma grande parte de mim. Meus sonhos, meus pesadelos, meus anseios, minhas incertezas, tudo exposto com palavras de outra pessoa, para um público enorme.
Mas, meus caros amigos potterianos, a J.K. Rowling não construiu esse império em vão. Nós não vamos deixar HP ter um fim. Nós a honraremos, a faremos ter puro e intenso orgulho de quando resolveu escrever um simples "universo interior", como a mesma descreveu. Você pode estar achando loucura da minha parte, e é porque deve ser mesmo. Mas eu tenho um propósito firme. Harry Potter não pode acabar, e não vai. Não deixaremos nosso mundo fantástico porque fãs de Crepúsculo acham que são melhores do que nós com suas presas metedoras de medo. Nada contra a saga. Na verdade eu até gosto dela. Mas o que eu não entendo é porque seus fãs (ou posers) insistem tanto em passar por cima de nós, em serem melhores do que nós só por causa da porcaria de lugar mais alto na bilheteria, ou sei lá o que. Harry Potter não se resume a um lugar na bilheteria, ou ao maior número de fãs. Nós tivemos sete livros de muito, muito amor, e nós não iremos abandonar isso agora. Nossa autora preferida não trabalhou arduamente por dezessete anos para outras séries chegarem tentando ser melhores que nós e nós não fazermos nada para impedir isso. Nós somos fãs. Nós iremos até o fim. E nós faremos nunca ser necessário um fim.
Nayane Ramoos.

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