domingo, 27 de fevereiro de 2011

Viver

            Olho através da janela, vejo as estrelas, estudo cuidadosamente cada uma delas, observo a lua semelhante ao formato de um sorriso, que parece fazer o mesmo lá de longe, eu definitivamente adoro quando ela está assim, eu sorrio, como se retribuisse a alegria que ela proporciona-me. Observo a rua deserta, as luzes, o barulho que o vento faz ao bater nas folhagens da mangueira que enchergo da minha janela. Ah, como tudo de repente parece ter mudado. Não para pior, mas, para melhor. Paro um pouco e respiro profundamente, até a atmosfera parece mais pura, mais limpa. Apesar de ser inverno, sinto como se o mais lindo e radiante sol nascesse  todas as manhãs. Olho fixamente para a paisagem a minha frente. 
              

           
           E então, ocorre-me que nada mudou. Que tudo, com exceção da estação, permanece perfeitamente igual. Eu fui quem mudei. Quem finalmente mudou, sinto-me leve, como se todo peso que antes me fizesse um tremendo mal, fosse agora algo que nem eu mesma sentisse, descubro que cada um sabe a dor que trás no coração, e, que isso não é algo que eu possa evitar, descubro, que não dá pra sofrer antes mesmo que tenha acontecido, que não dá pra chorar pelo leite derramado, que não dá pra viver o futuro, que o que foi, não volta nunca mais. E, que o agora é o que me interessa. 
              Sinto que procurar um amor, é afastá-lo, as coisas acontecem naturalmente. Sinto que o tédio, é algo com o que eu não viveria sem. Que a solidão, pode ser companhia. Que momentos ruins todo mundo tem.  Que a vida tem que ser interpretada como a aventura que ela realmente é, nas aventuras, existem tristezas, obstáculos, felicidades, arrependimentos, dor, decepções, mas, que no final, tudo valerá a pena. Você só tem que aprender que erros, todos cometem, mas, que deles que vem o aprendizado. E, que, nada, absolutamente nada, nessa vida é disperdiçado. Aprender que o bom da vida é viver ! 

Júlia (:

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Como o sono pode ser frustrante.

          Tomei uma decisão importantíssima para minha vida: Eu quero deitar e dormir a partir de agora. Esse negócio de chorar rios antes de dormir é muito irritante. Sem falar que quando você chora antes de dormir tem que virar o travesseiro pro outro lado se não vai dormir no molhado. Bem que eu queria ser um pouco normal a respeito disso. Se bem que eu acho que tem muita gente que chora antes de dormir. Enfim, é só que eu não consigo não matutar antes de dormir. Aliás, em ocasião nenhuma. Mas especialmente antes de dormir. Porque as vezes eu deito, na esperança de fechar os olhos e ter uma noite tranquila, então pensamentos vem a tona. As vezes eu nem sei de onde eles vem. Eles aparecem do nada. Minhas melhores recordações aparecem antes do meu sono. É um pouco irritante, admito, porque eu sei que quando eu acordar no dia seguinte não vou conseguir lembrar de muita coisa, já que não raciocino bem quando acordo, e depois, também não vou conseguir lembrar porque alguma outra coisa vai ocupar minha mente, então eu me sinto obrigada a levantar-me e ir anotar a lembrança, o sonho ou coisas assim antes que eles desapareçam. Pra você ter uma noção.
          Eu geralmente penso sobre tudo. Quero dizer, antes de dormir. Desde as melhores coisas que me aconteceram no dia até o que eu vou comer na próxima semana. Se você pensa que isso é bom, está enganado. Antes de dormir, eu também penso nas minhas feridas psicológicas. Sabe, desde orgulho ferido até fortes decepções. É daí que vem o choro. Eu só deito, fecho meus olhos, automaticamente os abro de novo, conto que se eu dormir em tantos minutos, vou conseguir ter oito horas de sono, mas aí eu começo a me destrair em minha própria contagem (ainda que eu não seja exatamente expert em matemática, é frustrante) e então meus pensamentos já estão lá bem distante no passado, no futuro ou o que quer que seja, e bem, quando eu me lembro de dormir e contar as horas de novo o travesseiro já está praticamente encharcado. Sério. E como se não fosse o bastante, ainda tem o negócio das horas, que veja bem, depois de tanto desperdício de tempo eu só vou conseguir ter umas seis horas de sono isso se eu conseguir parar de contar as horas de sono e dormir pra valer.

Demonstração minha contando horas de sono antes de dormir.
Nayane Ramoos.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Metamorfose drástica.

          Se ela tivesse passado por uma parede, teria dado no mesmo, pois ela também não teria falado com a parede. E aqui estava eu, encolhida, olhando discretamente para trás só pra vê-la atuar no seu mundinho de status e popularidade. Aquela garota me dava náuseas. Não pense que eu falo "aquela garota" como se não a conhecesse. Ah, não. Eu a conhecia bem demais. Mais do que eu desejava, até. Se eu não a conhecesse, provavelmente teria tido náuseas do mesmo jeito, depois de ver sua ceninha para alguns meninos babacas que tinham ficado ao seu redor enquanto ela andava. Mas se não a conhecesse, provavelmente pensaria que ela era mais uma garota metida e desvalorizada dessas. Mas eu a conhecia e sabia perfeitamente bem que ela já tinha sido humilde, leal. Pior - acredite se quiser - ela já tinha se importado, de verdade, com os sentimentos das pessoas com as quais convivia. Mais agora a realidade para ela se distorcia de modo desprezível em sua mente. Dava pra notar de longe. Quantas pessoas ela já tinha manipulado, usado, humilhado e magoado - não pense que não falo por experiência própria - porque só se importa com fama e coisas fúteis desse tipo? Muitas, eu sei. Eu sei porque, além de ser uma delas, convivo com outras.
          Agora ela abraçava um garoto que eu não sei o nome, de modo amigável - bem, pelo menos pra mim, pra ele eu já não sei - enquanto ria com suas "amigas" de alguma coisa que, com certeza, era muito sem graça. E pensar que já tinha deixado aquela garota ridícula e manipuladora ser minha melhor amiga. E pensar que já tinha dito que me afogaria por ela, que confiaria minha vida a ela. Porque era assim que nós éramos; Carne e unha. Isso antes de ela mudar completamente. Antes de ela começar a se aproveitar de mim em qualquer oportunidade que aparecesse. Antes de ela me dizer que não se importava com os meus sentimentos e me fazer chorar a beça por isso. É de se imaginar que ela se arrependeria e me pediria sinceras desculpas. Mas nem isso a vaca parecia capaz de fazer. Imbecil. Hipócrita. Filha... Bem, você já entendeu. Só que não há nada que eu possa fazer: Ela escolheu esse caminho, apesar de todos os nossos alertas. Então, se ela achava que esse era um bom modo de conseguir felicidade, ela que continuasse achando, pois eu não iria mais interferir. Só iria ficar observando de longe, como estou fazendo agora. Ela vai acabar se afogando sozinha no próprio veneno.

Nayane Ramoos.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Improvisar, adaptar, superar.

          Eu só queria ser capaz se entender tudo o que anda acontecendo. Por que ando me irritando tão facilmente, por que coisas pequenas me ofendem. Eu não deveria ser assim. Eu deveria ter a autoconfiança exagerada de antes, favorecente ao meu egocêntrismo. Não quer dizer que eu fosse metida antes, mas é só que as coisas eram mais fáceis. Eu desconfiava menos de tudo, eu vivia para o que me agradava, e não para ser agradável. Agora eu me sinto minúscula em muitos aspectos. E eu não sei a causa. Eu só não me sinto bem. Por um motivo inexplicável. Andam acontecendo muitas coisas, e eu estou um pouco confusa. A única coisa que me fortalece por inteiro é a certeza de que tudo vai ficar bem no final. Como eu sei disso? Eu não sei. Mas é o que a esperança em mim me diz. É o que eu venho acreditando fielmente durante algum tempo.
          Já passei por tanta coisa antes, coisas as quais que eu sabia o motivo de estar mal. E agora, é tão estranho simplesmente estar triste. Com minha família, meus amigos, meus hobbies preferidos ao meu alcance, não consigo me sentir bem. Talvez seja a rotina. Aquela coisa monótona diária, a qual já estou tão acostumada que não vejo mais graça. Não me faz sorrir como antes. Quer dizer, sim, eu sorrio bastante. Rio pra burro, mas por dentro não sinto a mesma intensidade arrebatadora que me faz ficar tão alegre. E quando fico alegre, é só isso. Minutos perfeitos de alegria, pra depois, monotonia de novo. Rir por rir. Nada bom. Chorar por chorar, sem motivos, sem causas. Pior ainda. Faz eu me sentir mal. Aliás, acho que todo mundo se sente mal quando isso acontece. E o que eu penso é... Bom, eu preciso ir além disso. Eu preciso contornar isso. Eu preciso mostrar a mim mesma que eu tenho como dar a volta por cima. Uma questão de honra.

Nayane Ramoos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Ne me quitte pas...

          As lágrimas me vieram com facilidade. Meu coração doía mais a cada gota. Pensei em tudo que estava acontecendo, e no quanto estava confusa. Pensei que meus pais não me compreendiam tão bem quando eu desejava em muitos aspectos, pensei no arrependimento que tomava parte de mim, pensei que deveria ter aproveitado melhor meu tempo, pensei nas imensas saudades que sentia de amigos que não via há tempos, e de amigos incríveis que nunca conhecera, o que tornava irônico o fato de sentir saudades. Mas então, algo dentro de mim, meu estômago talvez, contorceu-se, e percebi com um pesar que essa era uma das piores dores que já conhecera, se não a pior. Sentir falta de algo que nunca tive. Mas, de uma maneira ou de outra, eu sabia exatamente qual era a sensação de ter. Desconfiava seriamente que essa era a maior de todas as causas para meu desconforto e minha dor. E talvez, muito provavelmente sim, eu nunca saberia se estava certa sobre a sensação de ter algo que tanto foi desejado.

Nayane Ramoos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Welcome to Reality!

            No fim, tudo dá certo, se não deu certo, é porque ainda não é o fim. Foi isso que me disseram, e, eu me prendi a essa frase durante todo esse tempo. Sempre me forçando a lembrar, que algum dia, tudo ficará bem, que vale a pena continuar caminhando só pra sentir o gosto de subir novamente. Só pra assistir minha estrela se acender ainda mais. Ainda não é o fim. Tentei fazer dessas palavras, suficientes, para confortar tudo que eu teria que enfrentar até chegar ao final. Na verdade, eu ainda tento.  
               Ando me sentindo tão mal. Sabendo que não há absolutamente nada que eu possa fazer além de esperar que o fim chegue, que, será onde de verdade, eu estarei feliz. Só me resta ser paciente. Porque o fim é imprevisível. As vezes eu verdadeiramente canso, de mentir tanto, dizendo a mim mesma que nada de ruim me acontece, que nada de ruim me atinge, e, que não existirá fim, porque realmente tudo está bem, tudo está igual. Talvez, só assim, eu espere menos. Mas, é aí que eu me engano ainda mais. Eu posso esconder de milhões de pessoas, mas, jamais de mim mesma. Jamais. Isso é algo que eu já vivi o bastante para saber. E, mesmo assim, continuo negando tudo que sinto que me fará mal, ando negando tudo que de alguma forma me envergonhe, que me machuque, só para ver se doí menos. Mesmo sabendo que é em vão. 
                  Meu coração cansado implora para que eu tire a máscara. Aquela que construo a cada vez que saio na rua. Sabe o meu sorriso? É uma farsa. Funciona como meio de esconder as lágrimas que perigam cair. Sabe a minha voz rígida? Esconde a minha chorosa, entre-cortada e verdadeira voz. Sabe quando você me pergunta se eu estou bem? Eu lhe respondo ''Sim, eu estou''. Não é verdade. Eu estou péssima. É tudo uma máscara, uma farsa. Vou de mal a pior, definhando ainda mais, a cada vez que tento aparentar estar feliz. Sabe quando eu digo que o odeio? A verdade é que eu não sei o que sinto, mas, está muito longe de ser ódio. Sei que permanecerei assim até que tudo realmente fique bem, mesmo sabendo que massacro ainda mais meu coração, quando não exponho o que realmente sinto. Mas, dane-se! Espero permanecer paciente, ainda que arrasada, até que tudo realmente fique bem. E, então, aí sim, foi o fim.

Júlia (:

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Indecisa

            Sei o que quero, e, sei que ao mesmo tempo que o que quero, eu não quero. Complicado ? Se é pra você, imagine para mim. Sei que quero conceitos, explicações, exatidão. Mas, ao mesmo tempo, eu desejo o abstrato, o inexplicável, o inexato. Eu quero tomar banho de mar, mas, desejo também, a água barrenta e doce do rio. Estou feliz, mas, uma lágrima triste ameaça se revelar em meus olhos. Quero um abraço, mas, no momento que vou o ganhar, a dúvida se não seria melhor o beijo me surge. Quero a segurança, mas, a insegurança é tão mais aventureira. Quero a certeza, mais a incerteza também me atrai. Quero dizer sim, mas, o não me convida a usá-lo. Quero deixar meu coração se apaixonar, lhe dar força, mas, quero também que ele permaneça quieto, sem bater por ninguém específico. Estou com sede, encho um copo de água, mas, não seria melhor um refrigerante ? Sempre preferi banho morno, mas, e se hoje eu tomar banho frio ? Sou tão indecisa. Inconstante. Posso te querer bem num dia, e, no dia seguinte, descobrir que talvez você só mereça meu desprezo. Eu quero ou não quero ? O falatório do meu coração sobre o que quero, e, o que já não quero mais, ecoa no vácuo. Enquanto penso até quanto tempo vou conseguir permanecer nessa confusão. A quanto tempo permanecerei sem desejar nada exato.   

Júlia (:

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A carta.

Hey,

          Sabe, eu tenho sentido sua falta. Sei que você pode estar se perguntando por que raios está lendo isso, uma vez que tenho sido tão rude com você, mas você não tem ideia do quanto estou arrependido. Você sabe, de tudo. Se pudesse voltar atrás, reconstituiria os momentos ridículos que fiz você passar. Reconstituiria meus momentos esnobes que te fizeram sofrer. E eu jamais, jamais te desprezaria novamente. Mas eu não posso voltar atrás. E aqui estou eu, te submetendo a isto.
          Se você aceitar minhas desculpas, eu juro que farei tudo dentro e fora do possível pra conquistar de novo tua confiança em mim. Lembro de quando sorríamos um ao outro, pelo simples fato de a essência pairar sobre nós. A felicidade que eu sentia ao ganhar um sorriso teu. E agora só me resta a sensação massante de um misto de saudade, alegria, tristeza e decepção comigo mesmo, ao lembrar de tudo isso. Nossa relação sempre foi conturbada, e eu sempre tive parte nisso. Por isso eu quero mudar. Nós podemos ser felizes de agora em diante. Podemos rir um do outro nas tardes de sábado tomando sorvete direto do pote. Pense nisso. Perdoe-me. Perdoe-me do fundo da minha alma, perdoe-me. E aconteça o que acontecer, nunca esqueça que o brilho do teu olhar sempre foi e será o mais belo para mim.

Eu amo você.

          A garota releu a carta pela trigésima vez, com a mesma emoção que da primeira. Lembrou-se de como hesitara ao abrir o envelope, lutando contra as lágrimas, o coração apertando-se dolorosamente contra o peito. Agora, ela não podia acreditar, nem queria. Se pudesse, agarraria-se somente a aquela carta até o fim de seus dias. A última lembrança dele. Recordou-se nitidamente de quando respondeu a carta, e minutos depois descobriu que ele nunca saberia de sua resposta.

Nayane Ramoos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

'' ... Odeio o fato de eu amar me questionar... ''

          Meu coração pede para ser ouvido ao menos uma vez. Minha mente implora para não ser ignorada. Vejo o conflito começar a surgir dentro de mim, uma guerra silenciosa, mas, nem por isso menos dolorosa. Enquanto tudo que eu quero é somente paz, equilíbrio, segurança, que, num momento parece-me inalcançável. A verdade, é que parte de mim deseja, com toda força mandar reforços para o meu coração, e, derrotar até que em fim a estúpida razão que me impede de fazer o que me der na telha. 
        Cansei de resistir, cansei de me privar de algo, só porque no fim pode me machucar. Cansei de pensar que tal atitude pode me fazer mal. Cansei de supor. De me questionar. De está sempre com um pé na frente e outro atrás, regulando todas as minhas decisões. Controlando todos os meus impulsos. Cansei de nunca fazer o que realmente quero, porque alguma coisa dentro de mim me alerta para certas consequencias. Cansei de deixar sempre o meu coração de lado. Cansei de deixar essa guerra rídicula permanecer no meu subconsciente. Simplismente cansei. 
           E quer saber ? Meu coração merece mesmo ser alguma vez ouvido. E quem sabe não dá certo ? Quem sabe as coisas não mudam ? Viram ? Já estou supondo novamente. Eu sempre complico quando o que quero é tão simples, quando meu nível de discernimento é suficiente pra saber o que desejo, e, o que não. Sei que não quero certezas, não quero suposições, não quero saber o que se sucedirá. Eu só quero ir lá e fazer. Fazer porque quero ! Porque meu coração manda. Mas, assim que penso isso, que tomo essa decisão, mais suposições me invadem, como se viessem somente pra me importunar, e, deve ser isso mesmo. 
        Odeio o fato de eu amar me questionar. Não deveria ser assim, mas, as perguntas surgem involuntariamente, mais uma vez, provocando o uso de minha parte racional. E pondo dúvidas e mais dúvidas, em minha mente, como se não bastasse as que já tenho. Em tão pouco tempo de reflexão, já possuo um nó em minha mente. Não sei a quem ouvir. Não sei a quem recorrer. Não sei quem devo amar, quem devo somente desejar, ou, a quem devo dar apenas o meu desprezo. Na verdade, a confusão é tão grande que as vezes chego até a me perder. A questionar a mim mesmo, porque me questiono tanto. Não sei o que vou fazer. Até lá devo decidir. Por enquanto, vou me perdendo imersa em pensamentos e reflexões, que podem ser boas, ou, não.  

Júlia (:

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Frases

           Bom, eu já coloquei algumas coisas da Gabi Melo aqui no blog, e, como vocês puderam ver, ela escreve bem a beça, então, nós do I feel it all, resolvemos fazer uma postagem só com frases dela pra vocês. Espero que gostem! Júlia (:

''O tempo é um trajeto, sem definição exata. No presente, é lento, como se durasse uma eternidade; no futuro, misterioso, desconhecido; no passado, é simples, e, ao mesmo tempo congestionado de vários momentos, memórias tanto boas quanto angustiantes, e, em frente de tudo isso se não dermos importância, só perceberemos que a vida se passou, na hora de partirmos''. 

''Programas, tecnologias, inovações, talvez todos esses benefícios de hoje estejam bloqueando-nos de apenas olhar através da janela e aproveitar os momentos simples, a humanidade esta se auto-destruindo aos poucos, e ao passar do tempo esse pouco vai aumentando cada vez mais, nos cegando, nos privando de perceber que para termos a tal felicidade verdadeira, seja necessário apenas seus amigos e um passeio no parque com a mais mera corda de pular, esse é o segredo da vida, a simplicidade que dentro de nós nos faz viver a cada momento com mais magia''.     

''Ter coragem é uma das grandes coisas que temos que fazer para finalmente ter felicidade''.

''Às vezes a vida apronta com a gente, nos faz sofrer, porém é apenas para que tenhamos felicidade maior no futuro, ou até para impedir de fazermos algum grande erro''.

''O demais adoece, enjoa, faz mal, por mais bem que que você ache que o faça, o excesso pode acabar com tudo, lhe ser prejudicial, ou, simplesmente chato e ruim''.

''Se arriscar é o grande feito que apenas os sábios conseguem atingir, se prevenir de viver é um feito que apenas os burros são capazes de fazer, assim se privando de suas próprias felicidades''.

''Por mais devastado que seja ou simples, todos temos um passado, uma história que nos faz ser quem somos agora, ame seu passado, assim como ama o que você é, porque ele o fez assim''.

Fugindo do jogo.

          A garota observava as fotos com o olhar vago, sem rumo. Aquelas fotos, de fato, pareciam ser de um passado belo repleto de boas recordações. Mas não eram. Muito pelo contrário, traziam lembranças frustrantes. A garota das fotos - ela - aparentava ser feliz e rodeada de amigos. Nas fotos, o mesmo olhar alegre e vivo, com olhos verdes brilhando. O mesmo cabelo castanho estiloso. Meninas bem-vestidas e maquiadas sorriam para as fotos. Meninos bonitos e populares faziam poses. A vida que qualquer adolescente pedira a Deus. Mas pra ela, não era suficiente. Aquelas pessoas que supostamente estavam ao seu lado para sempre, só estavam com ela para usufruir de sua popularidade. Contava nos dedos quem realmente queria ser seu amigo. O que não era muito, apesar de parecer. Então, ela tinha beleza, popularidade, e muita gente pra confiar. Mas aquelas pessoas todas só estavam... Jogando. Nenhuma tinha personalidade suficiente para admitir, mas era só isso que elas faziam.

          E não fora de maneira muito agradável que ela descobrira isso. A garota havia cansado de participar de todos aqueles jogos, como se fosse mais um peão dominado no tabuleiro. Ela queria mais que aquilo. Ela queria amigos sinceros, pessoas que poderia confiar cegamente. Pessoas originais, que a admirariam pelos motivos certos. Ela queria sorrir simplesmente por estar feliz, e não porque tinha tudo o que desejava. Então, um belo dia ela deitou-se na cama e sentiu um vazio, e foi assim que percebeu que faltava algo. Algo muito mais forte que o mundo de futilidades no qual estava acostumada. Algo poderoso. Algo que a faria ser reconhecida por sua frenética obcecação por originalidade. Quer saber o fim da história da menina? Sim, ela conseguiu. Ela contornou os obstáculos enquanto era tempo, e deixou a lição para os que virão: Não se deixe iludir por um mundo que parece perfeito, e por todas as pessoas que vão se auto-intitular seus amigos. No final, você vai ser traído e usado. Dê valor ao que realmente importa.

Postagem dedicada à Andressa Kanda.

Nayane Ramoos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Minha realidade.

          Estou com saudades de algo que nunca tive, e preciso aceitar isso da pior maneira possível. Tento fazer-me entender, mas meu corpo recusa as explicações. Aconteceu porque tinha de ser assim, apenas isso. Ou pelo menos, é o que eu tento acreditar. O que eu falo para mim mesma, na tentativa de que isso baste. Mas esse argumento não é o bastante, ah não. Eu penso em todas as possibilidades, e nada me vêm a cabeça. Nada é suficiente para que eu entenda que não há mais volta. Não importa o quanto eu lute, o quanto eu sorria mesmo sem felicidade, eu ainda não posso aceitar isso, porque a saudade me corroe por dentro. 

          Entre lágrimas e sorrisos, entre sonhos e pesadelos, me dou conta de que vivi momentos mágicos. Que possivelmente não retornarão. Pelo menos não da mesma maneira. Não observando da mesma perspectiva. É confuso até para mim. Tento recuar, mas você está sempre ali, me observando de longe, deixando-me embaraçada, como sempre. Mas eu não posso ouvir o coração. Porque se eu o fizer, irei me magoar. Entretanto, não posso ouvir a razão. Tenho medo de que afastar-me definitivamente da sua vida me faça sofrer mais do que se você dissesse que tudo nada significou. E eu estou a um ponto, que, apenas vivo. Sentindo saudades a todo instante, rindo quando devo rir, agindo impulsivamente. Não estou apenas sobrevivendo, me sinto feliz do meu modo. Mas, não nego que no fundo desejo que algumas coisas sejam diferentes. 

Nayane Ramoos.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Um retrato clichê

       - Olhe para as estrelas. - Ele disse. Ela jogou sua cabeça para trás observando-as, sempre gostara de estrelas, as achava tão lindas, tão brilhantes, tinham sua própria luz, era tão lírico, poético. Mas, ela não compreendia o que ele queria dizer com aquilo, como, quase sempre acontecia. 
         - Estão lindas. Como sempre. - Comentou. Ele virou-se para olha-lá, seus olhos pareciam magnetizantes, e, não havia como ela não sentir-se intimidada a virar-se também, mas, resistiu a tentação, para não correr o risco de olha-lo e transbordar todo o seu amor atraves dos olhos. E, apenas continuou a observar as estrelas, mesmo tendo toda a sua atenção no atraente olhar castanho que a observava.  
        - Também, mas, não é só isso. - Ele hesitou um pouco, mas, continuou assim mesmo. Havia certo tempo que ele queria dizer isso. Nunca tinha tido coragem, sempre esperara a hora certa, mas, tinha descobrido recentemente que ela não existia. - Falo do mistério. Você não sente isso também ? É como o brilho de um certo olhar misterioso, é lindo, mas, nada transmite. Não para mim. Não sei se você entende... - Ele deixou o papo morrer. Tinha plena consciência de que havia dito tudo, mas, ao mesmo tempo não havia dito nada, e, deciciu que em vez de explicar de uma vez, esperaria a sua resposta. A verdade, é que ele ainda tinha esperança de que ela o entendesse.  
        - É... Talvez eu saiba do que você fala. - Suas bochechas coraram, porque era exatamente o que ela sentia sobre seu olhar. Era o mistério das estrelas. Ele havia notado, e, achava que a razão era por ela não sentir o mesmo. Ele estava equivocado. Ela estava constrangida. Os dois observavam as estrelas, os dois, viam seus olhares refletidos naqueles astros de luz própria, que diziam tanto, e, não diziam nada, exatamente como ambos sentiam em relação ao olhar um do outro. Se amavam, e, nem sabiam. O silêncio dominou o local, nenhuma palavra era dita, era possível apenas ouvir o barulho das ondas do mar, e, da fogueira que os outros do acampamento faziam lá na frente. 
     - Acho que preciso ir. Talvez você saiba demais. - Ela disse, ao mesmo tempo em repreendia as lágrimas do desprezo e constragimento a que sentia-se sujeita. Não queria chorar em sua frente. Não iria. 
      - Espere. - Ele pediu, quase tão baixo que se não fosse o silêncio ela não ouviria. Ela virou-se em sua direção, e, o encarou, pela primeira vez em toda a noite, ignorando o fato de que qualquer idiota nem um pouco observador, poderia notar que ela beirava o choro. Ele buscava coragem, não entendia o porque de suas lágrimas, e, sabia que não havia tempo para tentar entender. 
        - Eu gosto de você. Talvez eu a ame. Não sei como dizer isso... - Ele sentiu-se mais leve, ao mesmo tempo que sentia seu estômago rodar. Ela estava radiante, tanto que podia desabar em lágrimas de felicidade, e, assim o fez. 
        - Não quero lhe assustar, mas, não posso conter minhas lágrimas. É tudo o que eu sempre quis ouvir, e, é tão bom, nem parece real, é tão clichê. Eu também te amo. E, não é talvez. É certeza. - Ela o encarava, sabendo que fora idiota esse tempo todo, evitando, adiando, o momento que mais esperava, sem nem arriscar, por medo que não desse certo. Ele tivera mais coragem, mas, se arrependia por não ter o feito antes. Os dois acreditavam que seria eterno enquanto durasse. E, isso, por enquanto, parecia bastar. Ele puxou-a para perto de si, um puxavanco, onde não usou de delicadeza. E, de repente, ela abriu os olhos, sua irmã a sacudia, estava na hora da aula. E, era apenas um sonho. Mais um dos montes que tivera. Mais um dos seus famosos retratos clichês.
Júlia (:

Relatos de minha morte

            Eram três horas da manhã, eu acabara de sair da balada com o novo garoto que estava pegando, provavelmente o último da noite. Ele beijava muito bem, tinha uma boa pegada, seu nome era Paulo, e, ele me fazia esquecer do conhecido sermão que levaria da minha mãe quando chegasse em casa. Eu não gostava muito da minha mãe. Na verdade, eu não era nem um pouco apegada a nada que envolvesse família. OK, tenho que ser sincera, eu não era nem um pouco apegada a ninguém, proibia a mim mesma de sentir afeto a quem quer que fosse. Não tinha amigos. Não que nunca tivesse tido, é só que, teve um tempo que tentei voltar a amar as pessoas, mas, desisti assim que vi minha melhor amiga morrer de overdose. Bom, pelo menos provou-me, mais um vez, que eu não posso amar a ninguém.
           Fiquei assim depois que a vida levou meu pai, ele faleceu devido a um câncer. Eu resolvi que jamais faria o mínimo esforço pra compreender porque as pessoas vivem, já que, no fim de tudo acabamos como pó embaixo da terra, resolvi que faria o que me desse na telha, e, que a morte seria para mim, algo completamente inaceitável. Sendo assim, resolvi também que não amaria a ninguém que não fosse a mim mesmo. Para não ter que ver ninguém morrer. Acho que devo ter quebrado poucas regras dessa minha filosofia própria. Meu pai se foi quando eu tinha treze anos, desde de então, me rebelei. Confesso que hoje, me arrependo disso. 
           Eu estudava na escola pública ao lado da minha casa, havia sido transferida para lá no ano de minha morte, depois de ter repetido seis vezes a sétima série. Minha mãe não aguentava mais pagar mensalidades escolares. O que era de se entender. Eu pegava fácil os assuntos, nunca havia ficado em recuperação, até a sétima série. O ano da morte de meu pai. Resolvi que seria uma péssima pessoa na vida, o que incluia, não ligar para os estudos. Eu seguia uma regra básica '' A vida não foi boa comigo, porque eu haveria de ser com ela ? '' Eu também consumia drogas, desde de a maconha até o crack, meu caso não tinha mais solução. Eu também tinha sido internada algumas vezes, em todas essas, havia dado um jeito de fugir. Não era muito fácil pagar as contas que eu fazia com as drogas, mas, eu sempre dava um jeitinho. Pelo menos, até certo dia. Eu também bebia bastante. Não tinha hora para chegar em casa. E, havia sido presa uma vez. Enfim, nada disso me importava. 
              Era dia dois de fevereiro, três horas da manhã, eu estava devendo ao rapaz que me fornecia as drogas. E, eu sabia que corria riscos. Mas, como eu não tinha nada, não havia nada a perder. Então, eu também não tinha medo da morte. Não até morrer. Levei seis tiros. Três na cabeça, um no abdômen, e, dois no coração. Morri. Morri, e, nem senti dor. As pessoas formavam um roda em volta do meu corpo morto, todas assustadas, chocadas. Os assassinos haviam fugido. Levando consigo seu pagamento, a minha morte. Meia hora depois, o IML chegou. Passou-se mais meia hora. E, minha mãe finalmente recebeu a triste notícia de minha morte. Em quinze minutos, lá estava ela, inconsolável, desolada, culpando-se pelo meu fim. Com a certeza de que eu não há amava. Tentando buscar alguma informação sobre a morte de sua única filha. 
         Eu me senti culpada. Na verdade, eu me sinto assim, e, sei que sou. Eu a amava, e, agora era tarde demais para lhe provar. Eu havia acabado com a minha vida, e, em parte com a dela também. Tudo pela filosofia mais idiota que já existiu. Havia sido concedida a mim a vida, e, eu há desperdicei, joguei-a fora como algo meramente descartável. Eu destrui corações de pessoas que me amavam, e, que eu amava também, mesmo não sabendo disso. Só agora, eu entendia que meu pai não queria me ver assim. Que minha mãe era a melhor que existia, e, que, bem no fundo de minha essência, eu amava as pessoas. Eu tinha compaixão. Só a camuflava atrás, de drogas, bebidas, sexo e rock n' roll. Aqui estou eu, morta, insatisfeita, perdida, culpada, desamada, magoada, e, a culpa é exclusivamente minha. Eu me arrependo, e, é tarde demais. O tempo não volta, e, a vida é cruel. Planta-se o bem para colher-se o bem, eu não o plantei, e, obviamente também não o colhi. E, eu realmente desejo, que essa minha história jamais se repita.  

Júlia (: 
 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Palavras de um futuro bom.

          Classe nova, estudantes novos, professores novos, matérias novas, materiais novos. Começo de ano pode até parecer a mesma mesmice de sempre, principalmente se você for tipo, sétimo ou oitavo ano. A ideia implantada na cabeça de muitos (inclusive a minha, reluto em admitir) é que escola é sempre isso: Um lugar aonde vamos por obrigação e a única coisa legal é que podemos rever os amigos. Leitores abaixo do terceiro grau, mudem essa ideia na sua mente enquanto é tempo. Se você quer um bom emprego, um bom conhecimento geral - o que é uma definição abrangente demais, por isso vou focar-me aqui no quesito escolar - e até uma boa remuneração no futuro (próximo, espero) você não vai conseguir isso sentado na frente do computador lendo blogs. Com exceção deste, claro, que com certeza vai ajudar muito você a subir na vida.
          Enfim, o que quero dizer é que, devemos pensar no futuro. Não estou falando de nos obcecarmos por livros sobre coisas nojentas como biologia e nos tornamos típicos nerds - nerds de verdade, não esses de rayban sem lente - mas talvez devessemos nos importar mais com o que o futuro nos aguarda. Porque, como você bem sabe, mais pra frente, quando todos os seus conhecimentos básicos começarem a ser testados e julgados, você não vai poder pedir as questões para seus concorrentes. Você só vai poder fazer o que você aprendeu. E pode crer, eu fiquei chocada quando descobri que não lembro de absolutamente nada de um certo assunto nojento e irritante - e nada legal - de biologia. O que não falta hoje em dia são profissionais competentes e diversas áreas de trabalho, por isso temos que caprichar se queremos que nosso cérebrozinho trabalhe pra chegar próximo a um deles. Digamos que você acabe seus estudos com dezessete anos. Provavelmente nunca reprovou, e pensou muito no que queria fazer antes de tomar a decisão final. E então você descobre que não tem a menor chance de conseguir tornar-se um bom advogado simplesmente porque não estudou o suficiente para isso - imagina o constrangimento. Então, essa é a minha dica, que eu própria vou tentar seguir: Saiba equilibrar a diversão e os estudos, com a preocupação necessária, se quiser chegar a algum lugar na vida.

Nayane Ramoos.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A arte de escrever

            Escrever. Ah, como é bom escrever. Relatar pensamentos, sentimentos, escrever sobre minhas dores, fraquezas, amores, dúvidas. Ou, até mesmo escrever sobre as dos outros. Relatar idéias insanas, ou, reais e concretas até demais. Criar minhas próprias histórias, dar vida a certos personagens que vivem em minha mente, criar o mundo como eu desejo, desenhar novos rostos, e , lugares, apenas com a força e intensidade das minhas nobres palavras. 
           Buscar a luz, a compreensão, a voz, a força, a mão, das minhas palavras. Chamem-me de louca. Posso até ser mesmo. Mas, posso achar a voz que me compreende, a mão, que me segura, nas minhas próprias palavras, no meu próprio pensar, tiro isso, porque, quando estou mal, só me resta escrever. O remédio mais rápido para dor na consciência. Como se fosse terapia. Quando escrevo, posso sentir minha mente colher o que há de melhor em mim, mesmo que nem eu mesmo saiba, que sim, há algo assim no meu inconsciente. Quando escrevo, enriqueço a mim mesma. Me instruo. E, sinto o peso que antes me sobrecarregava ser retirado assim que expresso o quão ele era doloroso. Quando escrevo, compartilho a alegria, e, posso estar mais feliz ainda, por saber que vou distribuir há mais alguém a minha felicidade, através, mais uma vez, das minhas palavras. Assim, como quando amo, posso amar ainda mais, assim que escrevo sobre esse amor. Quando escrevo, sinto que não há nada mais para sentir quando o faço além de prazer e orgulho, em estar escrevendo. 
            Amo palavras. Na verdade, talvez essa seja a frase certa. Dizem que as imagens valem mais que mil delas, mas, isso não faz com que eu as ame menos. Amo a forma como posso construir a própia imagem em minha mente através delas. Como mágica. E, no fim, quando as escrevo, sinto que é isso mesmo, mágica. Sem sombra de dúvidas. Acho tão lindo, o descrever dos sorrisos, das lágrimas, da dor, do amor, dos sentimentos em geral, dos rostos, belos, ou não. Das paisagens, exuberantes, ou, nem tanto assim. A forma como cada um surge lentamente, a medida que vou escrevendo. Amo a forma, como mesmo sendo um texto meu, não tenho nem noção do que virá a seguir, amo a forma de como ele simplesmente surge de alguma parte de mim. No fim, se você quer estar bem, escreva. Somente isso basta. 

Júlia (:
              

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Você me deu rosas e eu deixei que elas morressem".

          Imagino o dia em que levantarei da cama atordoada e cairei num mar de desespero após ter um terrível pesadelo. Imagino-me lutando contra a correnteza, usando espadas invisíveis e fracas, que não me servirão de nada. Imagino-me ofegante, tentando lembrar... Tentando lembrar porque não fiz o que tinha de ser feito enquanto podia, ao invés de deixar-me ser engolida por ondas de arrependimento atordoantes e fatais. Não consigo. Porque, eu simplesmente achei que estivesse fazendo a coisa certa quando cometi um erro. Repito pra mim mesma que as pessoas cometem erros. Tento confiar no argumento de que não estou me enganando, que isso é somente a verdade. Mas, sou egocêntrica demais para me permitir errar. Tenho plena consciência disso. Sei também que sou orgulhosa demais para perdir perdão agora.


          Talvez... Talvez exista outra maneira de resolver isto, onde eu não precise sair ferida. Porque se eu sair... Esses ferimentos serão como feridas de guerra: Estarão ali para provar que existiram. A diferença é que meus machucados não irão sarar, porque eles só existem no meu consciente. E eu não quero me submeter a isso. Não quero ter que me enganar mais uma vez, pensando que fiz a coisa certa. Mas eu não fiz. Não era isso o que eu queria, e ainda não é. Sempre soube que acabaria me dando mal se não tivesse feito a coisa errada - de um irônico modo - que era melhor pra mim. Eu ouvi mais a razão do que o coração, é verdade. E cá estou eu, procurando uma saída na qual eu saia imune ao menos do peso na consciência. Isso se não for tarde demais, o que eu duvido. Eu somente confiei que no fim iria ficar tudo bem. Mas não ficou. E, espero do fundo do meu coração, que isso é só porque eu ainda não cheguei ao final e ainda tenho um longo caminho para trilhar.

Nayane Ramoos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Indefinido

            Ela entrou no carro calada, fingiu estar tudo bem, para não ter que explicar nada. Porque, na verdade, ela não sabia como explicar. Acomodou-se no banco atrás, e, colocou-se a observar a movimentação no trânsito, o estresse das pessoas, o engarrafamento, o monte de placas que via-se por onde se passasse, era tudo um passa tempo, para evitar as lágrimas precipitadas que ameaçavam cair. Na verdade, sua mente parecia estar longe, tão distante, que nem ela podia alcançar. E isso era o mais frustrante. 
              O tempo passou devagar, até que ela finalmente chegasse em casa, o que funcionou como certo martírio. Assim que chegou, deu boa noite aos pais, e, foi direto ao quarto. Pegou o pequeno livro de frases que havia comprado, e, pôs-se a ler para passar o tempo. Maldito livrinho, a cada frase, a cada palavra sábia, ela sentia uma agulha espetar seu coração, dolorido e cansado. As lágrimas caiam freneticamente de seus olhos pesados de sono. E, aquilo a fazia pensar que não existisse dor maior, mesmo tendo alguma idéia, de que, sim, existia dor muito maior. Ela não queria compreender. Falava sozinha, explicando a si mesma possíveis motivos para aquele sentimento desconhecido. Lia em voz alta, como se de alguma forma pudesse fazer seu coração ouvir algo que o acalmasse, assim como ela, ele não parecia estar muito afim de fazer acordos.  
               Ela contorcia-se na cama em busca de algo que a fizesse sentir-se segura, finalmente, mas, a única coisa que achou foi um travesseiro, como ela já beirava a insanidade, abraçou-se com ele, como se fosse ser suficiente. Mesmo sabendo que não seria. Ela sentia que carregava o mundo em suas costas, e, que tinha que continuar andando, sentia que não havia com quem compartilhar o peso, e, que tinha que continuar a qualquer custo. A cada olhadela para a longa estrada da vida, mais uma lágrima entre inúmeras, ela se via só, mesmo sabendo que podia contar com muita gente
                Por fim, quando conseguiu cessar suas lágrimas por algum tempo, tentou ultrapassar a barreira que parecia existir, entre o que ela sentia, e, o que já tinha sentido. Tentando, compreender aquele sentimento, era em vão. Não havia nome. Palavra. Definição. Conceito. Porque. Ela, somente sentia. Podia sentir seu coração sangrar de dor, e, sentia-se impotente para tomar uma atitude. Ela estava exausta, cansada de tanto sofrer, cansada de tanta dor. Ela só desejava que aquilo passasse, e, rápido. Não era nada bom não saber o que sentia. Depois de muito tormento, ela finalmente cedeu ao sono, fechou suas pálbebras pesadas do sono, e, dormiu a pior noite de sua vida.  

Júlia (: