Será que esta face distorcida em desespero que vejo no espelho, ainda me pertence? Será que eu tenho razão em ter certeza de que não sou mais a mesma pessoa? Sou a garota que deixou seus sonhos e ambições de lado para viver um presente patético ou a garota que se deu conta disso e vive em meio ao arrependimento? Sei que só há uma resposta. Sei que quando fitar o reflexo de meu rosto, entenderei que o desespero estampado nele retrata uma escolha mal feita, mas uma escolha que provavelmente, não seria mudada após uma segunda chance. Ainda sou a mesma imbecil que lutou por algo que não existia, não a menina amadurecida que se arrepende por tê-lo feito.
Infelizmente, é o que a parte racional de meu cérebro me avisa. E também é o que sinto. Será que se eu tivesse a mesma consciência de hoje, teria feito as mesmas coisas, cometido os mesmos erros, lutado tanto por uma falsa visão de felicidade? Tudo seria muito mais fácil se a visão insolente e hipócrita que eu tinha de você não tivesse se moldado. Mas hoje, eu sou o que sou, com todos os erros cometidos, obrigada a engolir meu orgulho e admitir que me arrependo.
Nayane.

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