sábado, 25 de junho de 2011

Lenta e imutavelmente.

          Cada vez mais confino-me e guardo-me para mim mesma, com belas lembranças por consumir-me. De vez em quando lembro-me de você com clareza. Mentira minha, lembro de ti o tempo todo. Lembro de você enquanto caminho na praia, sendo banhada por aquela imensidão azul. Lembro de você quando a música que tomei por nossa toca na rádio, e traz-me a tona todas as lembranças que vinha tentando reprimir por um bom tempo. Lembro de você quando vejo algo que você gostaria. Quando fito o céu escuro, sem motivo nenhum, e todas aquelas estrelas brilham como meu olhar ao cruzar o teu. Lembro de você quando estou tomando meu café a beira da madrugada e recebo um torpedo inusitado. Lembro bastante de você.
          Mas não é isso que me surpreende. Veja bem, outro dia estava caminhando por qualquer lugar, e vi um casal trocando pequenos sorrisos, pequenas carícias, os rostos a se buscarem a todo momento. Era bonito, sabe. Não era como aqueles casais de TV que só se interessam pelo que o outro tem a oferecer. Era mais real. Era verdadeiro. Era como nós. Eles não pareciam esperar qualquer coisa um do outro, porque eles não precisavam de outra coisa. Eles pareciam-me o tipo de casal que dariam tudo pelo outro, mas preferiam, modestamente, deixar esse fato oculto e viver o belo presente. Por que nós não vivemos o presente? Por que nós deixamos acabar? O que foi que nós fizemos com todo aquele amor? Só eu sei o quanto não poder mais acolher-me no teu abraço dói.



Nayane.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Asquerosamente racional.

          Será que esta face distorcida em desespero que vejo no espelho, ainda me pertence? Será que eu tenho razão em ter certeza de que não sou mais a mesma pessoa? Sou a garota que deixou seus sonhos e ambições de lado para viver um presente patético ou a garota que se deu conta disso e vive em meio ao arrependimento? Sei que só há uma resposta. Sei que quando fitar o reflexo de meu rosto, entenderei que o desespero estampado nele retrata uma escolha mal feita, mas uma escolha que provavelmente, não seria mudada após uma segunda chance. Ainda sou a mesma imbecil que lutou por algo que não existia, não a menina amadurecida que se arrepende por tê-lo feito.


          Infelizmente, é o que a parte racional de meu cérebro me avisa. E também é o que sinto. Será que se eu tivesse a mesma consciência de hoje, teria feito as mesmas coisas, cometido os mesmos erros, lutado tanto por uma falsa visão de felicidade? Tudo seria muito mais fácil se a visão insolente e hipócrita que eu tinha de você não tivesse se moldado. Mas hoje, eu sou o que sou, com todos os erros cometidos, obrigada a engolir meu orgulho e admitir que me arrependo.

Nayane.

domingo, 19 de junho de 2011

Máscaras

''Ei, vocês! Não se cansaram de me alfinetar? Não se cansaram de cuspir suas verdades banhadas na água dos meus defeitos pelas minhas costas? Como podem ser tão cruéis? Só quero que vocês fodam-se!'' 
          Só quero sentir o ardor da minha verdade, e sentir as palavras saírem da minha boca para incriminar-lhes, sentir o peso ser retirado das minhas costas, sentar-me, e, ver alguém verdadeiro me ajudar a tratar dos meus pés cálidos. Quero com toda a minha força sentir que vocês sentiram-se como senti-me. Gostariam de provar da dor? Gostariam de ser rejeitadas, renegadas, humilhadas, esculachadas, fodidas, ferradas pelas pessoas que vocês mais confiavam? Suas máscaras eram tão perfeitas. Os seus sorrisos, quando me aconselhavam, iam de um canto a outro de suas bocas, quase partindo-a, e, parecia tão real... 
"Ei, vocês! Onde estão suas máscaras? Ficam assustadoras sem elas, me parecem cruéis... Ontem não tinham dito que me amavam? Achei que pareciam preocupadas quando me viram chorar. '' 
             Eu não pedi nada além de amigas de verdade. Acreditem, eu sou alguém defeituosa. Mas, eu nunca imaginei que chegaríamos a este ponto. Achei que nós poderíamos não guardar rancor de nossas brigas, achei que pudéssemos ser sinceras, e, antes tudo isto me parecia tão fácil. Mas, isso foi até me apunhalarem por trás, até alguém vir me contar que eu estava ferida, sabe, eu não pude perceber, é que vocês pareciam tão certas de si mesmas quando me diziam que não havia ferimento algum, quando dei por mim, eu já havia sangrado demais para suportar mais um pouco, ainda tentei me apoiar nos seus ombros firmes, mas, ao o fazer, levei uma queda e notei que eles já não estavam mais lá. Me deixaram só.  Não pude acreditar e procurei mais um pouco, putas, me deixaram só. 
''Ei, vocês! Detentoras de todos os meus segredos, os esqueçam assim como esqueceram de mim, e, façam-me o favor de ser como se vocês nunca tivessem me conhecido. E, não. Eu não preciso que me ajudem a colar os cacos, o maior trabalho eu já fiz. Eu os colhi, eu me cortei, eu chorei, eu sofri, sozinha, eu cai, porque procurei seus ombros, porque eu me enganei com a idéia remota que vocês podiam estar lá! Que caiam as máscaras, seus monstros ! ''
              
Júlia (:
                     

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ultimato.

         Vamos alimentar! Alimentar a esperança que não existe, que dissipou-se nas primeiras luzes do túnel. Vamos deixar-nos consumir pela ignorância, a ignorância que soa íntima a esta espécie.
         E por que não? E por que não iludir-se? E por que não seguir em frente e deixar-nos conduzir pela vida? E por que não ser mais um pino colorido em um jogo que não é nosso, que, numa possibilidade remota de simpatizarmos bem com o jogador, poderemos vencer?
       Vamos lá! O que estão esperando? É pura diversão. Venda sua alma, compre um ingresso e leve lâminas de brinde. Aproveite. Não recebi nem a promoção.





 Nayane.

Irreversível.

          Preciso de ar.
          Preciso fugir.
          Preciso, e devo, parar com tudo, pôr um fim em tudo.
          Mas, só esse pensamento me desespera de tal forma que cada centímetro de meu corpo enfraquece, e fecha-se para a verdade que não quero encarar: Não importa. Não há volta, e se tudo não for como tudo em mim anseia... Bem, então não faria sentido... continuar.
          Um novo momento transpassado na mente, uma nova sensação. Talvez seja alegria. Talvez saudade. Ou talvez... Lentamente, limpo meu rosto manchado de lágrimas, quase sem notar que elas estão ali.
          Doce sina.
          Eu sei que nunca vou conseguir. A importância dela em minha vida chega a ser brutal.
          Eu sei que nenhuma palavra de conforto vai ser acolhedora o suficiente para este momento.
          Nada vai mudar.
          Venha o que vier, será uma lembrança que quererei afastar, e ao mesmo tempo, será o pior castigo do mundo. De todo o mundo.
          Inferno.
         É nele que minha mente está.

Nayane.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Medo do amor

          ''Tal como uma planta eu preciso do sol, eu preciso do seu brilho, da sua força e da exuberância evidente nos seus raios ao inciderem em qualquer lugar que seja, porque é justamente isso que é o amor, trás a beleza aos lugares mais inóspitos e frios do seu coração, mas, assim como o sol, ele pode queimar, doer, corroer, machucar, ferir, mas, ferir tão forte que a dor chega a ser insuportável, repugnante, traumática. E é dessas dores que partem meu medo, me sinto frágil, só de pensar nos fortes raios eu sinto o latejar das feridas, o ardor das queimaduras, diferentemente de antes, eu não consigo me ver iluminada por estes raios.  


           Talvez, logo eu, que nunca gostei da monotonia, a prefira do que amar. Talvez eu acabe me forçando a optar pelas tardes monótonas onde eu não tinha ninguém em quem pensar, talvez eu escolha o vento gélido soprando a minha face ritmadamente, do que o sol iluminando e me queimando ao mesmo tempo, por mais que eu goste da luz, as queimaduras não são agradáveis. E então, eu já sei o que escolher. O problema, lembro-me, é que eu não posso escolher entre manhãs quentes ou tardes monótonas, mesmo o coração sendo meu, eu não posso escolher, o que é tão injusto que chega a me doer um pouco mais, vou ter que ser queimada, machucada e ferida, e, eu nada posso fazer. '' 

Júlia

domingo, 5 de junho de 2011

I just want

            Eu só queria uma única vez saber os sentimentos que estão guardados no abismo dentro de mim mesma, só uma única vez saber explicar meu estado de humor, entender quem eu sou, saber o que é ter, e, conhecer a dor de perder, eu sempre acho que perco tudo... Mas, a maior verdade é que nunca se perde algo que nunca se teve. 



            Eu só queria alguma vez fundir a minha solidão com outra, pra ver se partilhando eu esquecia a dor, eu não queria sorrir sempre, porque se eu nunca sofresse não valorizaria os meu sorrisos, a verdade é que eu só queria que as minhas alegrias fossem na maioria das vezes maiores que as minhas tristezas. Que as minhas lágrimas fossem mais leves e não escorressem como agulhas arranhando a minha face gélida, que não me deixassem tão frustrada como deixam, tal qual chorar sangue, eu quero lágrimas com sabor de mel ! Sorrisos com gosto de jujuba de morango, e, alegrias tão intensas que me façam não caber em mim de vez em quando.
            Eu quero ver minha estrela brilhar uma vez, e sentir a força de ser eu mesma, sentir como é bom ser eu, sabe ? Ter orgulho de mim. Só queria uma única vez ser reconhecida como alguma coisa, nem que fosse eu mesma que o fizesse. Ser segura de mim, e, não me corroer por dentro e continuar segurando as lágrimas quando me sentir ameaçada. Só queria ter a certeza que as pessoas não me conhecem só por Júlia. Porque, acreditem, Júlia, existem várias. Eu queria que elas me reconhecessem pelo que eu sou. Pelo que eu penso e pelo que faço. 


Júlia (:

sábado, 4 de junho de 2011

Insignificante.

          Lembro-me bem da sensação. Não pense que já esqueci. Isso, nunca. A solidão, amargura de quem ama; e a saudade: que é pura solidão, o tempo não foi capaz de curar em mim. De forma inevitável ou não, aprendi muito com ele. Aprendi a errar e a aprender com meus próprios erros, e aprendi a perdoar porque assim como eu, as pessoas também são capazes de aprender, mesmo que não das melhores formas. Aprendi a amar intensa e verdadeiramente. Aprendi a me arrepender logo após. Aprendi a engolir meu orgulho nos momentos de dor. Aprendi a amar-me, amar, magoar-me, magoar, arrepender-me, lutar e desistir. Sim, aprendi a desistir. Aprendi a desistir porque era mais fácil do que aprender a lidar com a dor.
          Hoje vejo que isso não tem mais tanta importância. A dor me machucou. Fez com que eu machucasse. A dor fez com que cada parte de meu corpo implorasse por perdão, aprovação, vida. Uma vida diferente daquela que eu tentava fugir. A vida que eu tinha antes de tudo virar ao avesso, uma vida tão distante que eu mal me lembrava.
         Mas agora? São apenas detalhes chatos de uma vida entediante. São só lembranças estúpidas, as quais hoje sinto vergonha de ter vivido. Só recordações sem sentido se comparadas ao meu presente. Porque, hoje, eu entendi o verdadeiro sentido de muito daquilo que sempre procurei; o verdadeiro amor por trás dos defeitos, a verdadeira felicidade através das dificuldades. Os empecilhos? Bobagem. Pra que dor, pra que mágoa, pra que sofrimento se fixar meus olhos naquela imensidão de maravilhas negras faz-me esquecer de tudo o que não é belo? Eles não importam. Ela não importa. Nada importa. Só o que importa é o que me faz feliz, e isso, eu já consegui conquistar em parte, e quero continuar tentando, tentando e tentando.

Nayane.