sábado, 28 de maio de 2011

Ignore.

          Foi quando eu me peguei sozinha cantarolando alguma lamúria qualquer que passei a repensar meu lado simpático. Sabe, essa minha mania de sempre achar que há esperanças; de ver sempre o lado bom das coisas mesmo quando ele não existe. Nessas horas que eu paro de repente só para lamentar o rumo que tudo está tomando. Apesar de no fundo ter a certeza de que não há mais volta, tento me enganar; me fazer entender, até o último segundo, que nada está arruinado, nada acabou e tudo só passou de uma fase.



          Idiotice. Sério, as vezes a parte racional de mim despreza a outra por esse pensamento inocente. Penso comigo mesma: De quê adianta fingir não entender, se eu sei que no final vou acabar me machucando? É isso que acaba com tudo. Quando o coração fala mais alto, quero dizer. Talvez eu devesse julgar mais, contrariar o bom senso e me tornar totalmente seletiva. Talvez eu só devesse tentar não ligar tanto para tudo, esquecer as tais coisas sem importância e seguir em frente. Da minha maneira, mas seguindo em frente.
          Ou talvez eu só devesse... Sei lá, aprender a ignorar melhor.

Nayane.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A solução é educar, e, não simplificar.

       Preconceito linguístico, é este o mais novo assunto do momento. Marcos Bagno foi quem desencadeou a onda de discussões em relação a variação não-padrão da língua portuguesa, ao lançar o livro ‘‘Preconceito linguístico’’. Nesta obra ele faz uma crítica aos gramáticos tradicionais e as pessoas que utilizam a norma culta, alegando que, ao julgar errado a escrita de por exemplo a palavra: Saldade. Estaríamos praticando o tal preconceito linguístico.
       Não sou a favor de julgar pessoas pela forma como elas escrevem, mas, não posso deixar de enfatizar que não me trás felicidade vê-la escrever: ‘‘Saldade’’ – o que não quer dizer que eu não vá gostar dela por isso  – a questão é: Se formos deixar de lado a gramática, e, passar a aceitar as variações da língua falada na escrita seria quase o mesmo de dizermos: ‘‘Atenção, não teremos mais aulas de português nas escolas, pois, um analfabeto, ele sabe sim a língua portuguesa, e, o que é que tem se os profissionais de hoje em dia utilizam a palavra seje em vez de seja? Grande coisa! Isso é só a variação não-padrão da língua portuguesa, ela deve ser sim aceitada.’’
     Não falo de julgar caráter através da escrita. Longe de mim fazer isso. Só  não é correto tornar mais fácil a língua portuguesa por conta da deficiência na educação brasileira, se tivessemos boas escolas, será que teríamos que agora discutir o fato dos gramáticos aceitarem ou não o português não-padrão? É óbvio que não. Porque as pessoas saberiam falar português. Não é difícil de entender. Se fosse para escrever da forma que soubessemos - aceitar as variações individuais da língua portuguesa – era melhor que não existisse gramática.
     Porque regredir uma língua quando o que deveríamos fazer era proguedir com ela?  Por isso que o Brasil não vai para frente. Em vez desses malditos políticos estarem preocupados em melhorar a educação PARA TODOS eles vão acabar por facilitar a língua para resolver o problema. Tudo isso porque eles enchem seus bolsos de dinheiro para gastar com suas viagens ao exterior, em vez de estarem preocupados com os semi-analfabetos que cursam o terceiro ano do ensino médio numa escola pública.
      Preconceito linguístico envolve a questão de educar essas pessoas e não de aceitar numa redação o fato de alguém escrever saldade e não saudade, ou até mesmo deixar passar em branco alguém que fala seje e não seja, não acredito que a solução esteja aí, só porque é mais fácil simplificar o português, e, não educar essas pessoas, vamos escolher este caminho? Por mim não. Vamos educar, e, não aceitar de braços cruzados o fato das pessoas não saberem falar português. Vamos resgatar o verdadeiro português. E não simplismente simplificar a língua como desculpa para combater o preconceito. Quando houver educação, eles vão ler, vão falar bem, escrever bem, e, talvez vivamos um país onde não será necessário regredir com a sua língua para que eles não sejam julgados por não falar a norma-padrão, no ritmo que vamos, acabaremos num país onde a desigualdade social nunca mudará, quem tem educação formal, manda nos pobres operários sem educação. Isso aí queridos linguistas e governantes, construam o nosso país de maioria operária.

Júlia (:

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Me acordem quando tudo estiver bem.

            Era a última aula do dia, a pior de todas, por sinal, mas, ela estava disposta a encarar mais essa apesar da sua completa falta de humor. Antes disso, pediria ao professor para conversar com a turma, sabe, desde de que tinha sido elegida a representante ela tentava ao máximo ser exemplar, falar com a turma, e, pela turma. A missão era difícil, ela sabia, mas, era também prazerosa, já que, ela sempre quis fazer de sua vida algo importante, genial, admirável, memorável, e, isso parecia ser um passo, um pequeninissímo passo, enfim, ela tentava ser tudo, e, quase sempre quebrava a cara. Talvez porque era difícil para ela entender que não conquistaria tudo, por mais que quisesse conquistar, ainda assim, afastava tal idéia, e, apenas agia conforme notava a necessidade. Tentava ser sempre sorrindente, respeitosa, e, sutil, muito sutil. 
          Porém, nada estava igual naquele dia. Aliás, nada nunca mais fora igual a vida que levava antes, e, ela sentia pressão das diferenças. Sentia repugnância daquele lugar, sentia raiva das futilidades proferidas por aquelas pessoas, sentia raiva de si mesma, sentia raiva da vida, sentia-se triste, sentia raiva do professor, odiava a tudo e a todos. Naquele dia, ela tinha se exaltado, depois de passar o maior sermão de sua vida. Isolou-se na última cadeira, pôs os fones de ouvidos, enrolou o casaco no pescoço, e, pôs o cabelo cobrindo as orelhas, ouvia a música ao mesmo tempo que na sua mente passavam-se tantas coisas, tantos momentos, que, se lhe perguntassem no que ela pensava, ela diria que nem ela própria sabia.  Perguntava-se porque tudo tinha mudado tanto, lembrava-se, de quando 2010 virou, trazendo 2011, o melhor ano de sua vida, lembrou-se... Ela iria ter boas, grandes e eternas amizades, ela teria um amor, ela se daria bem na escola, e, ia ler livros excepcionais, ela erraria, sofreria, choraria, mas, isso não seria mais que seus sorrisos, que seus acertos, que suas alegrias. Planos. Ria da sua própria idiotice. 
           Não sabia o que sentia, mas, podia notar seus olhos ardendo, e, as lágrimas silenciosas molhando a sua face fria. Enxugou-as rapidamente, antes que alguém pudesse notar, sabia que não evitaria perguntas do tipo : ''Porque tu estavas lá trás sozinha ? '' ou : ''Estás bem ?'' Mas, lágrimas, seriam demais. Lágrimas significavam tristeza. E ela não queria que soubessem que estava triste. Notou o sermão que o professor passava numa garota da turma, tirou subitamente os fones do ouvido, notando que ela seria expulsa de sala por um celular. A garota saiu irritada, levando consigo suas coisas. Não pôs mais os fones, apenas permaneceu silenciosamente pensando, em meio ao barulho externo, e, de seus próprios pesamentos. Odiava aquilo com toda a sua força. Odiava. Quando o sino tocou, foi para a parada, tentando evitar as pessoas, e, foi para casa apenas para ficar mais uma vez com seus conturbados pensamentos. Apenas para passar o resto do dia desejando dormir, um sono longo, e, cheio de sonhos, onde, só há acordariam quando tudo aquilo passasse. 

Júlia (:

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O penoso bullying bipolar.

Todos os dias era a mesma coisa. Ela acordava, ia para a escola atrasada para evitar o tumulto, sentava no fundo da classe, sem falar com ninguém, evitando ao máximo contato até com os professores. Fingia prestar atenção nas aulas para não chamar atenção, mas na verdade, ela estava atenta mesmo era em sua própria vida – ou o que podia ser chamado de vida -, em seu submundo interior. As poucas pessoas que a conheciam, podiam afirmar com certeza o quanto aquela garota fazia a diferença, o quão brilhante era sua mente. Era um talento desperdiçado, sem dúvidas. Ela via tudo em sua volta, e preferia esquecer e dizer que nunca tinha visto, ela sabia de coisas muito maiores do que sua idade, mas não tinha a chance de manifestá-las. Ela era um gênio esquecido pela sociedade.
Fora em um desses tristes dias em que ela o conhecera. Um garoto bonito, inteligente, genial como ela. Só havia um problema: Ele era popular demais. E é claro que ela via isso como um problema, afinal, quantas vezes teria que sair com ele sofrendo bullying de seus colegas para que um dia a aceitassem? Quantas vezes seria necessário fingir e fingir que não sentia nada, até que um dia o acúmulo explodisse e ela tomasse medidas drásticas para acabar com aquilo? Nunca soube quando começou o bullying, nem como as pessoas ficaram sabendo de seus problemas. Apenas foi para a escola nova, pronta para entrar num ano novo, e por onde passava, as pessoas faziam brincadeirinhas sem graça por causa de sua bipolaridade e TDAH. Já era bem difícil, antes disso, lidar com tudo sozinha, e tudo só piorou depois disso. Ela entrara em depressão, tomara remédios que não podia, pensando que tanto fazia se conseguisse sobreviver, como tanto fazia se ninguém iria sentir sua falta. E como se não bastasse, veio a bulimia, como consequência do bullying.
Quando ninguém estava vendo, ela apertava as costelas, sentindo um enorme prazer em saber que pelo menos estava dentro de um dos padrões que a sociedade impunha. Doía, doía quase mais do que a lâmina cortando seus pulsos – sim, ela conhecia a dor – mas depois da dor, vinha o prazer, a satisfação, e ela aprendeu a conviver com a dor para sentir o sabor da alegria depois. Um dia, ela estava saindo da escola, as lágrimas escorrendo incontidamente mais uma vez, e soube que precisava daquilo de novo. Era o único jeito, a única coisa que fazia sobreviver valer a pena, e ela já se tornara dependente. Correra para o beco mais solitário que conseguira encontrar em um raio de cem metros, largara a mochila de lado e sentara-se, concentrando todo o peso do tronco para cima nas pernas, apertando com força. E então, dedilhava as costelas, com mais força ainda, puxando a cabeça para frente, esperando vomitar. Foi aí que algo a fez parar. Nunca antes isso tinha acontecido. Nunca antes algo tinha sido importante o suficiente para fazê-la parar, mas foi o que fez ao ver o garoto de sua escola, largado na outra extremidade do beco, segurando um cigarro em uma das mãos e uma garrafa de bebida na outra, quase colada a cabeça que pendia. Não lembrava por quanto tempo ficara ali, o observando atentamente. Mas não falara. Nunca ousara falar com alguém que não fosse essencial desde que entrara na escola, e não seria agora que falaria. Depois do que achou tempo o bastante, levantara-se e apanhara a mochila, pronta para ir para casa, até que ele o deteve.
- Fique.
Ela voltara-se para ele, arriscando um tímido olhar, e depois de um pouco de silêncio, abandonara novamente a mochila e sentara-se de frente para ele, esperando que falasse.
- Eu não estou bêbado, não se preocupe – dissera, sorrindo.
Ela confirmara com a cabeça, a visão voltada para seus sapatos.
- Então, déficit de atenção, eh? – perguntara o garoto, parecendo interessado.
- Me desculpe – dissera ela, a voz rouca pela falta de uso.
- Pelo que? – respondera o garoto.
- Por estar ocupando seu tempo – ela respondera, com o tom de voz mais alto que ousou usar.
Ele soltara uma risada sarcástica.
- Então, eu sou o garoto mais popular da escola, só ando com o tipo de pessoa mais fútil que pode existir, estou com bebida e droga nas mãos, me queixando interiormente da vida que levo, e você pede desculpas por ocupar meu tempo?
Pela primeira vez em muito tempo, ela sorrira, e ele conseguira se encantar com algo realmente belo. Não fora um sorriso longo, e ela estava com a cabeça voltada para o chão, mas fora o suficiente para fazer o coração do garoto parar por um segundo.
- Sabe, não é fácil ser eu. Eu sei que pode parecer ridículo da minha parte, mas realmente não é fácil fingir gostar de sair com aquelas pessoas, sofrer por amizades falsas todos os dias, sentir um enorme vazio no peito toda vez que me dou conta do quão hipócrita é minha vida.
Houvera uma pausa.
- Acredito em você – respondera a garota, pela primeira vez levantando o olhar.
- Acredita? – perguntara ele, duvidando.
- Acredito. Mas por que você não para de sair com essas pessoas?
Houvera outra pausa, desta vez mais longa.
- Tenho medo da solidão.
Ela confirmara com a cabeça, entendendo.
- Ela não é muito legal.
Ele sorrira.
- Você tem bulimia.
A garota espremera-se. Aquele era o mais profundo segredo que possuía, com exceção, talvez, da automutilação, e sempre fora pessoal demais para comentar até com as pessoas de sua mais pura confiança. Mas por algum motivo, sentira que podia falar.
- É a única coisa boa na minha vida.
Ele erguera as sobrancelhas, mas não dissera nada. Ficaram ali, por mais um tempo, até que ela falou:
- Então, depois disso, voltaremos para nossas casas e esqueceremos tudo?
Ele a fitara com uma espécie de dor no rosto, como se fosse doloroso para ele esquecer, mas disse:
- Se assim preferir.
Com o coração em pedaços, ela dissera sim, e se despedira, vendo-o fumar. Sabia que não podiam mais se ver e se encontrar, mas sabia que ele morreria com seu segredo, não importava o quanto infeliz estivesse. Ele era diferente, e ela torceria para que o destino reservasse bons caminhos para ele, apesar de todas as vezes que sofrera por causa dele e de seus “amigos”. Sabia que havia muito mais por dentro de seu rostinho bonito, mas como todas as outras coisas valiosas em sua vida, guardaria isso em segredo, só pra ela.

Nayane.

domingo, 8 de maio de 2011

Cansei de viver num mundo onde a alegria não tem mais endereço. - Renato Russo

          Certa vez, li um texto que falava mais ou menos assim: ''A felicidade é como uma cenoura amarrada na ponta de uma vara, que está presa as suas costas, você passará a vida inteira correndo atrás dela, para dar apenas pequenas mordiscadas.'' Não pude deixar de concordar, não pude não imaginar, em possibilidades, em explicações para o porque de serem apenas pequenas mordiscadas, a afirmação nos mostra uma obviedade em relação a felicidade, ela está a nossa frente. Muitas vezes, nem notamos, mas, está sim. Viveremos numa busca eterna pela também eterna felicidade, esta talvez, felicidade utópica, será mesmo que há na terra felicidade eterna? Acho que não. Ou ao menos não até mudarmos. 



       A felicidade é momentânea. Imaginemos o exemplo da cenoura, digamos que conseguimos um pedaço da tal, o comemos, somos felizes, mas, como tudo um dia acaba,e, teremos que novamente correr incansávelmente atrás de mais um pedaço, que logo, logo irá acabar. De verdade, por vezes me cansa tal corrida, as vezes me cansa tentar compreender tal filosofia, ou até mesmo, tal sentimento. Pergunto-me inúmeras vezes, se o homem não é que torna tudo isso mais difícil, se, nossa felicidade não poderia durar um pouco mais, começo a perceber que talvez, felicidade não seja pra sempre, por conta de nós mesmos, por conta de nossos próprios erros, começo a notar que talvez, a felicidade não precisasse ser tão utópica, viver já é tão cansativo, porque tanta violência? Porque tanta indiferença? O que dizer das negligências? E a miséria? E as guerras? Até quando vamos atrapalhar ainda mais nossa idéia de felicidade? Até quando vamos continuar nos auto-destruindo, até quando? Até onde vai o homem? De verdade, metade da minha infelicidade vem daí,  será que as pessoas não veêm? Por que não podemos aproximar a cenoura de nós? Aproximar a cenoura das pessoas que estão tão distantes dela, que, nem o seu radiante brilho podem ver? Por que, não podemos tornar a momentânea felicidade, em algo, presente na vida de todos? 
            Sou uma sonhadora, eu sei. Também sei que não faz sentido, que não é fácil, mas, é tão triste ver o quanto animal ainda é o mundo, ver a indiferença das pessoas, ver pessoas morrendo em ''nome de Deus''. Eu clamo, Deus não quer matar ninguém. Entendam... A felicidade é momentânea, provavelmente, nesse mundo, nunca vá ser eterna, mas, porque não tentar torná-la eterna? Todo mundo quer ser feliz, perceberam? Porém, ninguém busca felicidade de verdade. Cansei. E, quem não cansou? Eu não quero mais ver ninguém ser apedrejado porque manteve relação sexual com a namorada sem casar e Deus quer que ele morra por isso. Eu não quero mais ver misséis sendo disparados pra tudo quanto é lugar, eu não quero mais ver ninguém morrendo de fome, eu não quero ver ninguém disperdiçar oportunidades como se fosse simples tê-las, eu só queria, assim como todo mundo, que todos vivessem em paz, se respeitando, apesar das diferenças, sem guerra, e, então, seria tão mais fácil amar, e, ser infinitamente e eternamente feliz, imagine, eu não acho tão difícil.  



Júlia (: