domingo, 10 de abril de 2011

Listen.

          Vejo seu nome na minha agenda telefônica, e penso em discá-lo. Digo a mim mesma que é bobagem, quando sei que daria muito para ouvir tua voz outra vez. Penso novamente em te ligar, sorrindo apenas com a ideia. Parece ótimo. Por outro lado, sobre o que nós conversaríamos? 


          Diríamos um "oi" constrangido, e depois retomaríamos ao de sempre. Você com seu tédio notável, eu com minhas lágrimas incontidas, torcendo para que você não as notasse em meio aos soluços quase inaudíveis. E depois de falarmos o básico, como se fôssemos dois conhecidos distantes, riríamos, por alguns segundos, ao vermos algo hilário na TV, só pra depois voltarmos a dura realidade. E então, você perguntaria sobre algum assunto antigo, e eu responderia como se ainda vivêssemos aquele momento. Você daria uma risada espontânea, eu deixaria-me contagiar, e em pouco tempo, estaríamos explodindo em gargalhadas, constantemente relembrando alguma piada interna. Seria assim por minutos, até nós pararmos de rir e voltarmos a encarar a realidade. Eu ficaria pensando que a conversa tinha sido um erro, ao mesmo tempo em que pensaria se você achava o mesmo. Não hesitaria em dizer um rápido "sinto sua falta", corroendo-me por dentro ao ouvir sua resposta, sabendo que seria apenas uma demagogia. Daria uma simples desculpa e desligaria o telefone, antes de ser engolida por pensamentos  e lágrimas.
          Deixo o telefone de lado, acabando com toda a fantasia. Afinal, não tenho nada pra falar com você, não é mesmo?

Nayane Ramos.

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