Mentiras. É tudo o que as pessoas são. Grandes e patéticas mentiras. Elas vivem e matam por isso. Descartam tudo o que não conseguem explicar, desistem de acreditar em tudo o que não é a alternativa mais fácil. Estão o tempo todo enganando alguém. Seja pra terem algo a mais com o que se agarrem, seja pra fazerem as pessoas crerem na mesma baboseira que seus corações frágeis e tolos estão propícios a acompanharem.
Por que não querem se acrescentar, acreditarem no certo e não no prático, viverem por conhecimento e não por melhoras? Me diga, meu Deus, por que raios se esconder de si mesmo? Por que raios as pessoas – e todos sabemos que quando eu digo “as pessoas”, infelizmente utilizo o mesmo tipo de silepse do “todos sabemos” – teimam em querer fingir que está tudo bem quando não está, sorrir quando precisam chorar, fugir de problemas com coisas banais numa fútil esperança de torná-los menos desagradáveis?
OK. Isso é humano. É natural. É uma forma de aliviar a tensão. Mas sabe o que realmente me espanta? É que, depois de um certo ponto, elas começam a tentarem mentir pra si mesmas, pra aliviarem a tensão interior. E isso até que seria aceitável, se não fosse doentio. Ninguém pode mudar o seu passado. Ninguém pode esquecer tudo o que viveu.
Lembranças não são como argila. Não é algo que você possa moldar e depois jogar fora se não ficar legal. Elas são a vida. Os bens mais preciosos durante, e tudo o que restará depois.
Nayane.