sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Silepse da inverdade.

          Mentiras. É tudo o que as pessoas são. Grandes e patéticas mentiras. Elas vivem e matam por isso. Descartam tudo o que não conseguem explicar, desistem de acreditar em tudo o que não é a alternativa mais fácil. Estão o tempo todo enganando alguém. Seja pra terem algo a mais com o que se agarrem, seja pra fazerem as pessoas crerem na mesma baboseira que seus corações frágeis e tolos estão propícios a acompanharem.
        Por que não querem se acrescentar, acreditarem no certo e não no prático, viverem por conhecimento e não por melhoras? Me diga, meu Deus, por que raios se esconder de si mesmo? Por que raios as pessoas – e todos sabemos que quando eu digo “as pessoas”, infelizmente utilizo o mesmo tipo de silepse do “todos sabemos” – teimam em querer fingir que está tudo bem quando não está, sorrir quando precisam chorar, fugir de problemas com coisas banais numa fútil esperança de torná-los menos desagradáveis?
          OK. Isso é humano. É natural. É uma forma de aliviar a tensão. Mas sabe o que realmente me espanta? É que, depois de um certo ponto, elas começam a tentarem mentir pra si mesmas, pra aliviarem a tensão interior. E isso até que seria aceitável, se não fosse doentio. Ninguém pode mudar o seu passado. Ninguém pode esquecer tudo o que viveu.
           Lembranças não são como argila. Não é algo que você possa moldar e depois jogar fora se não ficar legal. Elas são a vida. Os bens mais preciosos durante, e tudo o que restará depois. 

Nayane.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Intenso como eu nunca quis.

          É trabalhoso sentir tua falta. Não gosto de admitir, mas é. É trabalhoso pensar em ti, todos os dias, porque por vezes eu preciso me esforçar um pouco para fazer com que memórias tuas não sejam meras memórias. É que por vezes, sentir tua falta é como sentir falta de uma grande parte de mim que há muito se foi. E eu já não tenho mais de onde tirar memórias. Tu não me destes tantos sorrisos quanto eu pensei que tivesses me dado. Tu não me desses tanta felicidade quanto eu imaginei, também. Se tivesses dado, eu não me lembraria? Ou será que eu apenas cansei de relembrar?
          Tudo era tão bom quando era contigo. Balançar um pouco a rotina, fugir um pouco da linha, acreditar um pouco no que parecia melhor, apesar de não ser. Deve ser por isso, acima de tudo, que eu sinto a tua falta. Eu sinto falta de tudo o que tu significastes pra mim. De tudo que tu marcastes na minha vida, de tudo o que eu senti por ti. Sinto falta de te amar. E eu te amei como amo cada um dos meus personagens preferidos de cada um dos meus livros preferidos. Te amei e me agarrei a esse sentimento como se ele pudesse me salvar de todos os perigos e me livrar de todos os males. 

Nayane.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Fragilidade que vem das flores.

       Tudo parecia um pouco falho ao seu redor. Como se tudo, por mais perfeito que parecesse, fosse completamente vulnerável e defeituoso. Era mais ou menos como se sentia, na verdade. Feliz e esbanjando sorrisos superficiais, por fora, mas por dentro sentindo-se como se um grande furacão tivesse arrasado a metade incompleta de si. A metade responsável por fazê-la sentir-se assim na maior parte do tempo.
          Era como se a vida tivesse a única função de fazê-la sentir-se vazia, com um grande vão onde deveria estar seu coração. Ela sabia que, enquanto caminhava, as flores continuavam vivas, perfumadas e coloridas, mas algo em seu eu mais íntimo a dizia que estas recolhiam-se no momento seguinte a sua passagem.

Nayane.